quarta-feira, 9 de julho de 2008

Juiz federal ameaça
prender Júnior Betão
Réu em um processo onde é acusado de sonegação fiscal, o ex-deputado federal Júnior Betão (PR) foi intimidado por edital publicado no Diário Oficial do Estado da última terça-feira. A intimação feita pelo juiz federal Jair Facundes deixa transparecer que o ex-parlamentar estaria evitando a Justiça.

A audiência será realizada somente no dia 9 de outubro, quatro dias após as eleições municipais. Jair Facundes manda o ex-deputado ser intimado dentro de cinco dias e arremata: “Em face dos indícios de que o réu oculta-se, voltem-se os autos conclusos após a data do interrogatório para exame da prisão do acusado”.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Mandato de Naluh

Merla está ganhando
por três a dois no TRE
Hoje à tarde, o advogado Odilardo Marques foi para a sede do TRE certo de que perderia a ação em que representa o suplente de deputado Merla Albuquerque (PT).

Albuquerque pleiteia o mandato que pertenceu à conselheira do TCE Naluh Gouveia, mas por hora é exercido por Josemir Anute (PR).

Marques se enganou. Saiu com da sede da corte com a sensação de vitória. Os juizes Maria Penha e Ivan Figueiredo votaram a favor de seus argumentos. O placar está três a dois.

Nesta história toda, uma coisa que ainda não ficou clara para a opinião pública é que Merla Albuquerque não representou contra Josemir Anute.

A representação foi feita contra Naluh Gouveia, em dezembro do ano passado quando o suplente alegou que a ex-deputado deixou o partido sem justa causa.

Em tese, quem deveria ter entrado com representação contra Naluh Gouveia seria o PT. Mas, como o partido não tinha interesse, Merla Albuquerque se posicionou dentro do prazo legal, conforme disciplina o artigo 1, parágrafo 2º, da Resolução nº 22.610/2007, do TSE.

Embora seja público que Naluh Gouveia não foi infiel e, por força de lei, precisava se desfiliar do partido, a Resolução do TSE não abre brecha para que a sua saída seja justificada.

A conselheira poderia sair nos seguintes casos: incorporação ou fusão de partido, criação de novo partido, mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário ou grave discriminação pessoal.

O próprio TSE já decidiu que o mandato é do partido e que as coligações são formadas por tempo certo e para fins específicos de cada eleição, não subsistindo após a eleição. Há várias decisões neste sentido.

A decisão do TRE sobre o mandato que foi de Naluh Gouveia ficará para a próxima semana porque o juiz Maurício Hohenberg pediu vista do processo.

A coluna acredita que seu voto empatará a peleja em três a três. Confirmado o empate, o presidente da corte, Samoel Evangelista, dará o voto de minerva.

Um Ninja vermelho nas ruas
O Ninja mudou de cor. Durante anos foi azul e gostava do número 15.

Agora, é vermelho, filiado ao PC do B e sente gosto em carregar nas costas a bandeira com a foice o martelo.

Nas últimas eleições, o folclórico militante desceu de balsa. Está crente que o 13 do PT e de Raimundo Angelim lhe trará mais sorte quando outubro chegar.

Esse Ninja precisa esquentar o seu pé frio.


segunda-feira, 7 de julho de 2008

Olho no TRE
Todas as atenções estarão voltadas para o TRE amanhã à tarde. Está previsto o julgamento da ação apresentada pelo suplente de deputado Merla Albuquerque (PT), que pleiteia o mandato que pertenceu à conselheira do TCE Naluh Gouveia.

Merla Albuquerque contou com o voto favorável do relator do processo, o desembargador Arquilau de Castro Melo, que entendeu que o mandato pertence ao partido.

O juiz federal Jair Facundes e a juíza Denise Bonfim votaram contrário. A juíza Maria da Penha pediu vista e deve se pronunciar nesta terça-feira.

Artigo da Marina

MARINA SILVA
Antes ou só depois
DEFINIDAS AS candidaturas, move-se a roda das eleições municipais. Hora de cobrar dos candidatos compromisso com os temas que realmente interferem em nossas vidas.

Como já se disse, pessoas não moram nos mapas da União ou dos Estados. Estão nos municípios, no território onde as coisas acontecem, onde os problemas ambientais e sociais ganham cara, números, gravidade e gente diretamente afetada.

Tome-se o caso das mudanças climáticas globais. O nome imponente sugere algo da alçada de especialistas e de poderosos, não de cidadãos comuns ou de eleições municipais. Mas talvez falte exatamente a entrada em cena dos cidadãos comuns para que a coisa ande.

O IBGE, nos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2008, mostra vários indicadores negativos ou em evolução lenta na área ambiental, apesar de avanços como o aumento de 6,5% para 8,3% da área protegida em unidades de conservação federais. Há, de um lado, baixa capacidade institucional dos municípios para atingir bons níveis de sustentabilidade. A maioria ainda não tem secretaria ou conselho de meio ambiente. De outro, os municípios tiveram o maior aumento proporcional dos gastos públicos em meio ambiente, entre 1996 e 2004: de 0,4% para 1,1% do total das despesas. Os federais ficaram entre 0,3% e 0,4%, e os estaduais foram de 0,6% para 0,8%.

Há também algo diferente no ar: aumentou o número de candidatos municipais interessados em abordar meio ambiente em seus programas, sinal de que não há mais como ignorar o tema.

Como presidente da Subcomissão das Águas no Senado, participei da visita ao Sistema Cantareira e da reunião do comitê da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, nos dias 26 e 27 de junho. Parte dessas águas é transposta para abastecer a cidade de São Paulo. O sistema está perto do limite. Foi gratificante ver prefeitos, técnicos, representantes de empresas, da academia e de ONGs unidos na busca de soluções para a escassez.

Os investimentos para suprir a demanda são enormes e cobrem períodos cada vez mais curtos. Há algumas décadas, o volume de recursos para proteger mananciais e planejar a ocupação urbana teria sido muito menor do que o necessário agora para captar água em locais cada vez mais distantes.

Pode a consciência ambiental gerar novas atitudes sem a pressão do prejuízo econômico e da privação dramática de recursos vitais? O comprometimento antecipado de eleitores e candidatos com essas questões, no quintal das eleições municipais, pode ser uma chance para responder que sim.

contatomarinasilva@uol.com.br

sábado, 5 de julho de 2008

Nova CPMF

O protesto de um cidadão
Sempre contrários à vontade da população, os políticos de Brasília se preparam para ressuscitar a CPMF.

Esperam apenas passar as eleições para aprovar uma tal de Contribuição Social para a Saúde (CSS).

De forma atropelada, sem levar em conta as regras ortográficas e gramaticais, o cidadão José Orlando protestou contra o imposto.

O repórter fotográfico Marcos Vicentti fez o registro do protesto afixado em frente à casa do contribuinte-eleitor.


Bebida e direção
O diretor do Detran, Cezário Braga, é acusado de dirigir embriagado.
O responsável pela direção da Companhia de Trânsito, Major Espindola, não sabe dirigir automóvel.
É o Acre.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Página da história

Creiam! Manoel Machado
foi governador do AcreNão faz tanto tempo assim, houve um Acre em que o folclórico deputado estadual Manoel Machado assumiu ao posto de governador do Estado.

Ele era presidente da Aleac e posou na sacada do Legislativo apontando para o Palácio Rio Branco dizendo que um dia iria assumir os destinos do Acre.

Felizmente, não assumiu. Machado entrou na história pelas suas tiradas machadianas. Hoje, está no completo ostracismo.

Não foi apenas Manoel Machado que passou para o limbo da história. Muitos outros iguais a ele que faziam a política pequena seguiram o mesmo caminho.

Esses devem servir de exemplos para os atuais políticos. O Acre e os acreanos não aceitam mais conviver com homens públicos que se orgulhavam de tratar o dinheiro público como se privado fosse.

A foto/reprodução é de Marcos Vicentti

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Eleição para reitor da Ufac

Rebentos, Rebanhos
e Marias Redentoras
Gerson Rodrigues de Albuquerque*


“Flutuando como água... você vai em frente com rapidez, jamais
enfrentando a corrente nem parando o suficiente para ficar estagnado
ou se grudar às margens ou às rochas – propriedades, situações
ou pessoas que passam por sua vida -, nem mesmo tentando agarrar-se
a suas opiniões ou visões de mundo, apenas se ligando ligeiramente, mas com
inteligência, a qualquer coisa que se apresente enquanto você passa e depois
deixando-a ir embora graciosamente sem apegar-se...”
(Lao Tse, citado por Zygmunt Balman, Vida Líquida, 2007; 11).

A Universidade Federal do Acre vive, mais uma vez, um clima de disputas e divisão interna entre grupos que se digladiam pelo controle da reitoria e, portanto, do mais alto Cargo de Direção dessa Ifes. Característico do processo em curso, no entanto, tem sido o grande empenho com que as professoras que lançaram suas candidaturas, seus articuladores e apoiadores têm se debruçado na definição e/ou ampliação de um leque de alianças – é assim que se fala na política partidária – que defina a eleição antes da eleição, sem discussão ou na base do reflexo que cerceia a reflexão, numa clara demonstração de que o interesse maior, nem de longe é com a universidade.

A queima de fogos de artifício e congratulações a cada nova adesão entre os dois principais grupos, até o momento interessados na “gestão da Ufac”, o lançamento formal e informal de candidaturas a reitor(a) e a vice-reitor(a), bem como a “partilha” dos cargos de pró-reitores pelo critério da correlação de forças internas aos grupos, o curioso surgimento de camisetas, bottons, adesivos, folders, faixas, banners, balões coloridos, entre outros, em um contexto onde sequer foram definidas e publicadas as regras eleitorais com critérios claros e democráticos, universo de votantes, natureza do voto, locais das sessões, Comissão Eleitoral, prazos para inscrição, data da eleição, escrutínio, caráter e limites para a campanha/propaganda eleitoral, entre outros, fundamentais para nortear qualquer processo eleitoral – em especial quando se trata de instituições públicas - constituem-se, também, como um escandaloso indício de que a última coisa que interessa é a Universidade Federal do Acre.

As duas principais candidatas, seus vices e respectivos grupos, para amenizar o fato de que “o carro saiu na frente dos bois”, vez em quando, se intitulam como “pré-candidatas”, numa grosseira simulação da política partidária brasileira. Esquecem, no entanto, que as “pré-candidaturas” são lançadas para as convenções dos partidos que definem quem serão seus candidatos pelos mais variados e “democráticos” métodos e, fundamentalmente, seguindo as regras, condições e prazos estabelecidos para cada certame. Somente depois de cumprida essa etapa é que as candidaturas são lançadas e tem-se início a propaganda eleitoral.

Nas duas últimas semanas de junho, circularam, em formato eletrônico, as “cartas de apresentação” das duas candidatas. A primeira, assinada pela professora Margarida Carvalho, pregando mudanças, embora a professora em questão tenha sido parte constitutiva da atual gestão - nos últimos quatro anos - e, o que é inexplicável, sem ter dito uma única palavra, uma mísera manifestaçãozinha pública de descontentamento ou discórdia quanto aos rumos da instituição ou das práticas, palavras e atos de seus gestores, da qual a mesma integrou seu primeiro escalão à frente da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação.

A segunda, assinada pela professora Olinda Batista – também integrante da atual gestão na condição de vice-reitora -, ancorada no estapafúrdio slogan “para avançar mais”, subestima nossa capacidade de ver e sentir as coisas. Avançar o que? A adesão da Ufac aos programas de desmonte da universidade pública, levado a cabo pelo governo Lula da Silva, a exemplo do Reuni? Avançar no silenciamento dos fóruns de deliberação interna de nossa instituição e na varredura do “lixo para debaixo do tapete”, a exemplo dos já clássicos “erros protocolares” em certames públicos internos e externos, como o do Edital Pibic 2006-07 ou em concursos para professores e técnicos administrativos, ao longo dos últimos quatro anos?

O que provoca estranhamento é assistir como um amplo conjunto de colegas professores doutores e mestres, além de funcionários e estudantes se posicionam com naturalidade frente ao que está em curso no interior dessa Instituição de Ensino Superior, aderindo a uma ou outra candidatura, assumindo os símbolos, slogans e signos de suas campanhas, sem tecer comentários ou reflexões sobre seus significados. É como se o lançamento de candidaturas com suas propostas “salvacionistas”, ancoradas na distribuição de camisetas, adesivos, bottons, folders, cartas e a colagem de faixas e banners fosse a coisa mais natural do mundo. Mais ainda, como se isso fizesse parte de nossos pressupostos mentais, nossas possibilidades de compreensão e posicionamento no mundo.

No mínimo, valeria a pena um questionamento público sobre a origem dos recursos que anunciam e vendem como “produtos de última geração”, candidaturas de um processo que sequer foi instalado pela devidos órgãos deliberativos da instituição. Qualquer estudante da Ufac que se proponha realizar uma atividade de arrecadação de fundos, como vender bilhetes de rifas para organizar “festa” de formatura, comprar uma bicicleta para o colega que não tem como se deslocar até o campus universitário, participar de um congresso fora do Estado ou publicar um informativo de seu Centro ou Diretório Acadêmico, sabe o quanto é difícil conseguir a colaboração voluntária de professores e técnicos, mesmo quando o preço da rifa é de um real.

Na Ufac, em outras eleições, articulações e “ajuntamentos” de grupos e interesses sempre existiram, mas as candidaturas eram lançadas com base em processos definidos e de acordo com regras públicas e previamente estabelecidas, como em qualquer outra eleição. Desta feita, porém, as coisas tomaram outros rumos e as cartas das “pré-candidatas”, paradoxalmente firmadas na condição de candidatas, atestam o afã e a ansiedade de se definir tudo por outros caminhos, subordinando os mais importantes órgãos de deliberação da instituição à condição de meros “homologadores” de articulações, acordos e decisões de outras instâncias, algumas delas obscuras e alheias ao cotidiano e a realidade acadêmica.

Em abril de 2008, lançamos um manifesto pelo voto paritário, como elemento inicial para a reflexão sobre a sucessão na reitoria. Esse documento envelheceu precocemente. Não pela falta de coerência em seus argumentos e tese central, posto que ainda acreditamos que o voto paritário é a melhor alternativa em processos de eleição para reitor. No entanto, a honesta opinião pública do professor Ronaldo Melo e a conveniência como essa questão passou a ser tratada, aliada ao fato de que a quase totalidade dos envolvidos nas discussões sobre a sucessão na reitoria estavam e estão voltados para a definição de nomes e blocos eleitoreiros, deixando a reflexão sobre a atual situação e os rumos da universidade para último plano, nos levaram a priorizar uma outra discussão e colocar outras questões para o debate: qual universidade queremos? Voto paritário para que? Para, plebiscitariamente, homologar candidaturas de ocasião? Para manter a Ufac omissa frente aos grandes problemas que atingem as populações que vivem nessa parte da Amazônia? Para continuarmos seguindo à risca os pacotes e portarias governamentais que desmontam a universidade pública no Brasil? Para ampliarmos o fosso que nos separa da sociedade e da defesa de um mundo mais justo, igualitário e livre para todos? Para “avançar mais” na prática de tratar o “outro”, o “diferente”, o “anormal”, como incapaz e destinarmos a ele nossa “fraternidade piedosa” e nossa “tolerância” em recebê-lo como “igual” em nossos ambientes de “normalidade” e “racionalidade”?

Creio que as atuais candidaturas a sucessão do professor Jonas Filho na reitoria da Ufac nada têm a nos dizer, na proporção em que não apenas suas trajetórias recentes foram de silêncio e omissão frente aos inúmeros ataques sofridos pela universidade, mas, principalmente, porque partem da mesma lógica de apego a cargos de mandos e desmandos na administração pública e de tratar como dispensáveis as instâncias deliberativas e a prática do debate aberto, público na definição de processos e certames no interior dessa instituição.

Quem esteve participando da última greve da categoria de professores, em 2005, uma das mais difíceis e conturbadas da história do movimento docente, deve lembrar o quanto as duas reitoráveis foram “democráticas” em diferentes momentos dos mais de cem dias de paralisação: a pró-reitora fingindo-se de “surda” e “desentendida” frente às decisões de nossas assembléias no tocante ao funcionamento de programas interinstitucionais e ações de pós-graduação e pesquisa; a vice-reitora tocando em frente a participação da Ufac na “ressurreição” do nefasto Projeto Rondon, herança da ditadura militar, completamente a margem do debate e das decisões dos órgãos colegiados.

Mas que importância tem o passado, mesmo que ele não seja tão passado assim? A incrível forma como colegas professores, com históricos procedimentos e opiniões no interior da Ufac, se articulam nos mesmos blocos e grupos com outros colegas professores, cujos procedimentos e opiniões são completamente diferentes e mesmo antagônicos aos seus, nos faz pensar que tempos mais sombrios virão pela frente.

A palavra “democracia”, desgastada e esvaziada de significados, está sendo utilizada como um clichê para ocultar que nossas escolhas no processo que ainda vai se instalar, não obstante aos choques de vaidades e sentimentos durante as reuniões do Conselho Universitário, já estão definidas. Não importa a natureza do voto: se proporcional com o “generoso” peso de 70% para os docentes, se proporcional paritário ou se universal, a palavra de ordem será: façam suas escolhas na candidatura 1 ou na candidatura 2. Porém, não devemos esquecer que elas já estão escolhidas e lançadas, independentemente das regras, da natureza do voto, dos prazos, do universo de eleitores e votantes, das propostas e da própria sobrevivência da universidade pública, gratuita e de qualidade.

Diante de nós, o horizonte e seus desafios. Muitos escolheram o caminho das “ligações frouxas”, incorporando aqui as reflexões do sociólogo polonês Zigmunt Bauman, em seu livro “Vida Líquida”, onde “compromissos revogáveis são os preceitos que orientam tudo aquilo em que se engajam e a que se apegam”. Para eles, as experiências e as lições da vida vivida no interior da Ufac – no passado e no presente – de nada valem: “avançar mais” é “possível”. “Acredite” nisso, mesmo sem saber para onde você está “avançando” – ou se está mesmo “avançando” - e na companhia de quem.

No horizonte, a redenção virá pelas mãos femininas. As redentoras, como resultado de uma alquimia que funde “diferentes” credos e interesses, tornaram-se “puras” e “predestinadas” a “civilizar” a “barbárie”. Os rebentos salvadores são projetos orquestrados milimetricamente para contemplar os agregados e agradar aos próprios ouvidos e aos ouvidos dos eleitores e votantes. Estes, tratados como rebanhos ouvirão sons em a-cor-des da re-pe-ti-ção ininterrupta dos slogans e palavras de ordens que deve lhes propiciar “bem estar”, enquanto seguem conformados e felizes seus pastores - intermediários entre eles e as redentoras. Os olhos dos que se deixarem tratar como rebanhos, ávidos de desejos – como diria Drumond – nada deverão questionar e se inundarão com as cores de fantasmagóricos lançamentos de candidaturas que, como se estivessem sobre esteiras para exames ergométricos, correrão a plenos pulmões para provar que são saudáveis, mas sem sair do lugar.

Aos que não se dobram frente ao cômodo “quem não tem cão caça com gato” - sabedores como inúmeras mulheres e homens amazônicos que existem “mil maneiras de caçar” - cansados de repetir a máxima do “esmagai a infâmia” de Voltaire, restará manter a dúvida e a capacidade de dizer não, cientes, mas sem se desesperar como Stefan Zweig que “a cada dia surgirão infâmias piores que as do dia anterior”.

* Gerson Rodrigues de Albuquerque, professor do Centro de Educação, Letras e Artes da Ufac

Porta de banheiro

Política na "M..."Depois os políticos reclamam quando as pessoas dizem que eles são uma “M..."

Este aviso está afixado no banheiro da Câmara de Vereadores de Rodrigues Alves.

Foi fotografado pelo gestor de políticas públicas Evilásio Lima dos Santos, que tem um blog no endereço eletrônico
http://www.guiadojurua.com.br/farofino.

Esses vereadores não têm do que reclamar se os eleitores derem descarga nos seus mandatos. Afinal, o nível dos debates na casa legislativa deve ser o mesmo do mostrado na porta do banheiro.

Mercadoria democrática

Punição para comprador
e vendedor de voto
É correto é legítimo a Justiça Eleitoral querer punir com os rigores da lei os candidatos que compram votos.

É pena que o mesmo raciocínio não seja aplicado para quem vende.
Afinal, sem dúvida alguma, há mais vendedores do que compradores.

Esse rigor todo contra os compradores é por um motivo simples: a Justiça Eleitoral não tem estrutura para conseguir identificar os vendedores.

É mais fácil focar as atenções em determinados candidatos que já tenham a fama de bons negociadores do instrumento mais valioso da democracia.

Nesse caso de compra e venda de voto, a Justiça Eleitoral funciona como uma espécie de Procon.

A diferença é que os punidos são os compradores, em vez dos vendedores. A lei do mercado é aplicada de forma inversa.

Confusão em Feijó

Juarez Leitão se articula;
Francimar pressiona assessores
O presidente da Câmara de Vereadores de Feijó, Marcos Cavalcante (PSB), será o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo deputado estadual Juarez Leitão (PT). A convenção que homologará as candidaturas será realizada hoje.

Insatisfeito com a escolha de Juarez Leitão, o prefeito Francimar Fernandes (PT) ameaçou cruzar os braços em relação à disputa. Leitão concorrerá contra o tucano Dindin, que terá Pelé como vice.

Francimar Fernandes pode até cruzar os braços, mas está agindo. Chegou de Feijó a informação de que o prefeito exigiu que todos os seus secretários e assessores que são filiados ao PT peçam desfiliação do partido, caso queiram se manter no cargo.

Segmentos políticos feijoenses esperam que Francimar Fernandes também tenha coragem para mandar a sua ficha de desfiliação. Também esperam que ele exigia o mesmo gesto dos seus aliados políticos, principalmente os vereadores.

Além da confusão com Fernandes, um dos assuntos mais debatidos quando da definição da candidatura de Juarez Leitão a prefeito de Feijó foi a possibilidade de o ex-deputado Roberto Filho (PP), em caso de vitória do petista, assumir o mandato por dois anos.

Os estrategistas temem que o fato acabe respingando nas lideranças da FPA, em particular no governador Binho Marques.

Artigo da Marina

MARINA SILVA
De feliz memória

NOS IDOS de 1995, o Acre vivia um dos períodos mais truculentos de sua história política. Esquadrão da morte, assassinatos brutais, perseguições. Jorge Viana era prefeito de Rio Branco e eu senadora em primeiro mandato.

Nesse período, convidamos Ruth Cardoso para conhecer nossos programas sociais. Alguns acharam a iniciativa sem cabimento, pois poderia dar gás à oposição local, aliada do governo federal. Para a oposição, não tinha cabimento era dona Ruth dar força para o PT.

Ela foi assim mesmo. Na noite em que chegou, fez questão de parar na feirinha de artesanato, em frente à catedral, e comprou um colar de coquinho mulungu, feito pelos índios.

No outro dia, no almoço em sua homenagem, a maioria foi vestida com certa cerimônia, apesar do calor danado. Dona Ruth entrou de calça comprida, camiseta branca de malha e, de jóia, apenas o colarzinho de mulungu. Deixou todo mundo à vontade. Quem estava ali era a autoridade acadêmica que não se escondia atrás da cátedra e a primeira-dama que não gostava de pompas. Tinha olhar direto, escuta genuína, compromisso.

De outra vez, queríamos criar o programa Amazônia Solidária. Ela colocou técnicos do Comunidade Solidária para ajudar a formatar a idéia, que resultou no Prodex, a primeira linha de crédito para extrativistas na Amazônia. A demarcação da terra indígena Raposa/ Serra do Sol também deve muito a dona Ruth.

Em três momentos, foi emblemática para o Acre a presença de pessoas cujo apoio mostrou que não estávamos sós. Em 1980, Lula, quando Wilson Pinheiro foi assassinado. Em 1988, Al Gore, logo após a morte de Chico Mendes. Em 1995, quando estávamos à mercê do Esquadrão da Morte, Fernando Henrique e Ruth Cardoso foram fundamentais para ajudar o Acre a fazer uma transição histórica.

A visita de dona Ruth foi o símbolo dessa atitude, que estimulou o PSDB a entrar na aliança que elegeu Jorge Viana governador em 1998. O presidente e dona Ruth deixaram claro que, naquela hora, as pessoas de bem deveriam ter um lado e não apenas um partido.

A ligação entre esses momentos é terem sido fruto da diluição das fronteiras políticas por meio de um alinhamento ético, suprapartidário, generoso.

No velório de dona Ruth, pensei em como, mais uma vez, ela foi artífice de uma trégua civilizada que trouxe à tona o que une e não o que divide. A perda desta pessoa tão preciosa impõe uma reflexão: a luta pelo poder é mais importante do que juntar forças para objetivos comuns? Se conseguimos no Acre, por que não no Brasil?

contatomarinasilva@uol.com.br

sábado, 28 de junho de 2008

Eleições 2008

Um sábado dedicado à democracia
Hoje foi um sábado diferente no Acre inteiro. Pode-se dizer que foi um Sábado da Democracia.

Os partidos reuniram suas militâncias para homologar os nomes dos candidatos a prefeitos e vereadores. Foi uma festa. Como é bom ter a liberdade de escolher os mandatários dos seus municípios e os vereadores!

Raimundo Angelim (PT) e a FPA deram demonstração de força e poderio de fogo eleitoral.

O Centro Empresarial do Sebrae ficou pequeno para receber tanta gente com camisa vermelha. É certo que faltou mais povo. Havia muitos funcionários comissionados presentes. O que é normal.

Os dois lados da Avenida Ceará foram tomados pelos veículos das pessoas que foram à convenção da FPA. Dava para perceber claramente como a vida de muitas pessoas melhoraram.

Essa quantidade de veículos não é apenas porque ficou mais fácil as pessoas das classes populares adquirirem veículos. É porque os salários aumentaram e os comissionados estão ganhando muito bem.

Mais uma coisa tem que ser ressaltada: os guardas da Companhia de Trânsito não pouparam os proprietários dos veículos estacionados em locais impróprios, como nas paradas de ônibus.

As multas foram aplicadas como determina a lei. É pouco provável que haja reclamação. Será encarado como sacrifico de campanha.

Adversário apontado como o mais forte para enfrentar Angelim, o deputado federal Sérgio Petecão (PMN) não teve uma convenção tão grandiosa.

Não teve carros para ser multado. A maioria da pessoas chegou à sede do Rio Branco Futebol Clube de ônibus de linha.

Petecão optou pela caminhada da casa da mãe de Flaviano Melo (PMDB) até a sede de Rio Branco. O candidato a prefeito foi acompanhado de populares, candidatos a vereadores, do companheiro de chapa Edilson Cadaxo, do deputado federal Flaviano Melo e do ex-deputado Marcio Bittar (PPS).

Os idealizadores da campanha de Sérgio Petecão, ao contrário de outros candidatos do passado pela oposição, não abrirão do tocar o hino acreano nos seus eventos. Isso foi o que ficou patente na convenção, que começou com a bela música.

A verdade é que as candidaturas de Raimundo Angelim (PT) e Sérgio Petecão (PMN) caminham para ser polarizadas até dentro de famílias. A Cadaxo, por exemplo, tem representantes nas duas coligações. Outro exemplo é a de Júnior Betão (PR) e da vereadora Bete Pinheiro (PPS).

Para quem compareceu as convenções que homologaram as candidaturas de Raimundo Angelim (PT) e Sérgio Petecão (PMN) a prefeito de Rio Branco ficou evidenciado o perfil dos eleitores de cada um. O petista tem penetração na classe média. O mobilizador, como o slogan aponta, tem eleitores mais populares.

Vai ser uma boa briga.

A foto é de Marcos Vicentti.


Cabide

Um homem experiente em balsaManoel Valdir de Souza é conhecido por todos como Cabide.

Este ano, concorrerá pela 16ª a um cargo eletivo. Se tivesse vencido, estaria ao menos no quarto mandato.

Cabide é novamente candidato a vereador pelo PTC. É um experiente viajante da balsa para Manacapuru.

Desta vez, jura que ficará em terra firme. Na foto ele pede o voto da deputada federal Perpétua Almeida (PC do B). Eis um dos motivos para as suas constantes derrotas: pede o voto de pessoas erradas. A parlamentar tem candidato comunistas para escolher.