terça-feira, 26 de abril de 2011

Entrevista

"Major Rocha é um cidadão

que sempre se beneficiou

da Associação dos Militares"

Ontem à tarde, por volta das 16h30, o telefone do jornalista tocou. Do outro lado da linha estava o sargento da Policia Militar Natalício Braga querendo falar sobre o processo de discussão, ataques e interesses político-partidários dentro da Associação do Militares do Estado do Acre.

Sargento com 20 anos de carreira, Natalício Braga, 43, é um dos fundadores da entidade. Trabalhou na fundação com o hoje vereador Sargento Vieira (PPS) e o deputado estadual Wherles Rocha (PSDB).

Eleito presidente da entidade em duas oportunidades, Braga é alvo de denúncias por parte dos seus antigos companheiros de luta, que o acusam de ter cometido várias irregularidade.

Nessa entrevista exclusiva, o militar quebra o silêncio e aponta quem, na sua opinião, fez o uso da Associação para crescer politicamente e viabilizar seus interesses particulares.

Boa tarde, Braga, tudo bom?
Nem tudo está bom, né?

O que está acontecendo mesmo? A gente lê e escuta tantas coisas envolvendo a Associação do Militares do Estado do Acre...
Você pode escrever ou está gravando?

Pode falar. Estou gravando e escrevendo
Veja bem. A Associação dos Militares foi fundada em 2006 por mim, pelo major Wherles Rocha e pelo sargento Vieira, entre outros. Foram trezes os fundadores. De lá para cá a entidade se tornou muito forte, apesar de não poder ser sindicato.

Ficou forte por quê?
Ficou forte pelos movimentos realizados com bastante intensidade, entre eles o de 4 de maio, em frente ao gabinete do governador Binho Marques. Com a união da tropa elegemos um vereador, um deputado estadual, e a Associação tornou-se muito poderosa.

Mas, apesar de ser co-fundador, o major e deputado Wherles Rocha agora é seu adversário
É verdade. O major Rocha, que andou comigo durante cinco anos, é parecido com aqueles músicos que têm uma banda, mas preferem fazer carreira solo. Infelizmente, ele fez o uso de jogo baixo para atingir seus objetivos.

Como jogo baixo?
Ele sempre fez parte das duas diretorias que presidi e hoje quer o controle da Associação a qualquer custo, tentando chegar ao seu objetivo por meio de denúncias infundadas.

Mas há denúncia de que a sua reeleição foi irregular...
Essa é uma história sem cabimento. Na última eleição, quando fui reeleito, o major Rocha pegou três policiais (o soldado Púpio, dos Bombeiros, o sargento Cadeias e o sargento Carvalho, da reserva) e os fez ingressarem com ação dentro da nossa entidade, alegando processo irregular da eleição, o que não ocorreu. São todos testas-de-ferro do major.

Mas o senhor é acusado de estar foragido...
Não estou foragido nem sumido. É que, como ele ganhou em primeira instância, há um oficial da Justiça para me notificar. Ocorre que a notificação só terá valor se eles me acharem. Estamos em grau de recurso.

Há uma história nebulosa da compra de um veículo pela Associação. Como foi isso?
Em 2009, compramos uma camionete, uma L200, de placa NAB 2310. O veículo foi comprado no nome do major Rocha. Está documentado no Detran. Ele e o sargento Vieira fizeram um cambalacho e alugaram a camionete para a Câmara de Vereadores.

De quanto era o aluguel?
Era de dois mil reais por mês. Eu descobri a mutretagem. Nosso tesoureiro foi procurado pelo Vieira, que queria depositar o dinheiro na conta da Associação, mas nós não permitimos. Bloqueamos a tentativa.

O depósito seria de quanto?
Era de vinte e quatro mil reais, mas dissemos que não poderíamos receber porque era um dinheiro ilegal.

Por que o dinheiro seria ilegal?
Seria ilegal porque a Associação não presta serviço. É uma entidade de classe, quase filantrópica, sem fins lucrativos. Fizemos até documento para não aceitar.

Bem, a sua reeleição foi legal. Onde estão os documentos que comprovam a legalidade?
Em 2009, eu pedi um afastamento. Eles ficaram no comando da Associação. O major Rocha sumiu com vários documentos, entre eles os do processo eleitoral, que transcorreu dentro da legalidade. Mas ele, além de sumir com os documentos, chamou seus testas-de-ferro para dizer que não houve lisura no processo.

Qual foi o resultado do sumiço da documentação?
A situação foi levada à Justiça e a juíza Maria Cezarinete deu a vitória a eles em primeira instância porque tivemos dificuldades para reencontrar os documentos. O major Rocha é maquiavélico. Ele quer o controle da Associação de qualquer forma. Mas encontramos todos os documentos e entramos com recurso.

Por que há tanto interesse no controle da entidade?
Ora, porque a Associação dos Militares é a terceira maior entidade representativa do Estado. É uma força política poderosa. O major Rocha foi eleito com os votos do militares associados à nossa entidade.

Mas qual foram os motivos do seu rompimento com o deputado Wherles Rocha?
Como eu discordei dele em muitas coisas, ele se voltou contra mim. O major Rocha quer transformar a Associação numa facção ultrarrevolucionária. Quer ser o Che Guevara na oposição.

O senhor acha correto usar a Associação para fins eleitorais?
Não acho correto. Penso que a Associação não tem cor partidária. Não é do PT, do PSDB, do PMDB ou qualquer outro partido. É uma entidade que agrega os militares e defende os interesses de classe sem facção partidária. Como tem interesses partidários, o major Rocha quer assumir o controle da Associação dos Militares no tapetão.

O senhor tem alguma coisa que ponha em xeque a seriedade de Rocha?
Bem, em 2009, ele fez denúncia de combustível, mas o posto era de um tio dele. Era ele quem usava o combustível. Chegou a ir para Xapuri e abasteceu com dinheiro da Associação.

Mas como aconteceu essa relação dos negócios da Associação com um parente de Rocha?
A Associação tinha um convênio com o posto que era do tio do major Rocha. Trata-se de um sujeito extremamente calculista, que sempre se beneficiou e tirou proveito da Associação. Tanto que se elegeu deputado estadual e hoje quer ser o paladino da justiça.

Pelo que se ouve, é o senhor que está sendo acusado de ter conduta duvidosa...
Isso ocorre porque tem um sujeito que fica me difamando. Tinha um blog para isso. Ganhei na Justiça para que a página fosse retirada do ar. Não há registro no Google. Ganhei sessenta e dois mil reais por indenização. O jogo do major Rocha é o jogo do vale-tudo.

Qual é a avaliação que o senhor faz do deputado Rocha?
É um cidadão que sempre se beneficiou da Associação.

Mas como aconteceu esse beneficio?
É simples. Compramos um carro para a Associação no nome dele e o veículo foi alugado para a Câmara de Vereadores. O posto de gasolina que a Associação tinha convênio era de um tio dele. Ele o sargento Vieira foram para um evento gospel em Xapuri usando o dinheiro da Associação. Trata-se de um rapaz esperto.

O Senhor não teme represálias?
Claro que temo. Tem chegado ameaça a minha casa. Acho que parte do rumo dele. O major tem gente que faz o trabalho sujo para ele.

Vale a pena brigar pela Associação?
Vale, porque o major quer a qualquer custo o controle dela. Ele está execrando um sargento que tem vinte anos de Polícia Militar. Sou professor de matemática formado, tenho a minha reputação ilibada. Estou sendo execrado para o major tentar tomar o controle da entidade, a fim de fazer uso político-partidário dela.

O senhor se sente como?
Sinto-me perseguido por esse homem. Ele está me caçando da mesma forma que o coronel Hildebrando Pascoal caçou seus adversários naquele tempo. O major está fazendo uso de todo o seu poderio legal e ilegal para me perseguir. Não mede esforços para me aniquilar dentro da Polícia Militar como sargento e como homem.

E os documentos da sua reeleição vão aparecer?
Entramos com ação junto à Justiça para a verdade ser restabelecida. Os documentos da eleição estão em poder da Justiça. Foi feita a inscrição inclusive do major Rocha como membro da diretoria. Se houve pilantragem no processo, ele é um dos pilantras.

2 comentários:

Flash Power Sports League disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sargento disse...

Leonildo,
Que você agora articula as idéias dos poucos que leem ou dão crédito ao que você escreve, todos os acreanos sabem, agora, dar voz a quem anda escondido da justiça como bandido, publicando no seu blog e em comentários televisivos como se fora verdade a afirmação do SGT PM Braga, isso é pura leviandade. Coisa que parece ter lhe contaminado com a proximidade com o Governo. Saia dessa barca furada. O Acre é pequeno para mentirosos e lacaios.